Se você ainda não entendeu os fundamentos, tentar meditar vai deixá-lo mais estressado ainda.

Virou lugar comum. Em todo artigo relacionado a ansiedade ou estresse você vai encontrar, entre as dicas infalíveis, a meditação. Mas, calma. Não é bem assim.

Desde 2014 venho ensinando práticas de Mindfulness e muita gente me procura para aprender a meditar. Nesta trajetória encontrei várias situações que quero compartilhar aqui, com algumas dicas.

Quase todos com quem falo e que andam querendo aprender a meditar, começam assinando algum aplicativo. Porém, sem entender os fundamentos, estas pessoas acabam se sentindo muito frustradas e me dizem que tentar meditar virou mais um fator de estresse. Também, muitas vezes, percebo que as pessoas estão se cobrando, com o seguinte pensamento: “Todo mundo medita, menos eu”. Bem, virou moda. E lá vai nossa mente competitiva achar mais uma fonte de ansiedade por comparação. Meditar passou a ser mais um sonho de consumo, como qualquer outro.

Vamos lá com alguns pontos importantes. No final coloco um link para uma meditação bem simples para começar.

Meditação não é algo que se “faça”

Num mundo em que o fazer é super valorizado, muitos inserem a meditação em seu “to do list”, como mais uma atividade a ser cumprida no dia.

Se você encarar a meditação como um “a fazer” e, ainda pior, se colocar “metas de meditação”, como já vi alguns executivos competitivos fazendo, é frustração na certa.

Meditar não é fazer, é “apenas ser”. É um momento em que você vai deixar-se em paz. Sem cobranças, sem metas, sem nada. Por alguns minutos, não esperar nada, não exigir nada, apenas apreciar o momento, sua respiração, sua vida acontecendo. Meditar é estar presente em seu corpo, percebendo-se, sem julgamentos ou cobranças.

O estado do corpo importa

O estado do corpo afeta a mente e vice-versa. Se seu corpo está sempre muito agitado e inquieto, tentar meditar vai ser uma tarefa quase impossível. Então, para algumas pessoas, antes de aprender a meditar, o prioritário é aprender a “silenciar o corpo”. Significa aprender a relaxar o corpo e a se acostumar com a imobilidade.

Práticas como alongamento, yoga, natação ou outras técnicas de relaxamento do corpo podem ajudá-lo a aprender isto.

As distrações são normais

Um dos principais mitos que impedem muita gente de meditar é acreditar que é preciso esvaziar a mente dos pensamentos. Talvez alguém que tenha dedicado a vida inteira à prática da meditação consiga isso. Nós, simples interessados em apenas ter uma vida melhor, não temos que colocar isto como meta.

Durante uma prática de meditação, os pensamentos vão nos distrair. E não há nenhum problema nisso. É normal. O que fazemos então? Nada. Aceitamos a distração com gentileza, sem julgamento ou cobrança e voltamos, com determinação suave, ao foco original.

A meditação pode ser entendida como ciclos:

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Quando percebemos a distração, significa que não estamos mais distraídos, certo? Então podemos retomar o foco. Não importa quantas vezes tenhamos que fazer isto. O importante é a insistência em reorientar a atenção.

Haverá dias melhores e dias piores

Como para qualquer outra habilidade, o desenvolvimento da meditação não é linear, ou seja, não espere evoluir todos os dias. Haverá dias em que a meditação flui bem e dias em que você começa a achar que não vai conseguir e pensa em desistir. É assim mesmo. Somos seres humanos e oscilamos. Está tudo certo.

Tenha em mente o seguinte: Uma prática de cinco minutos é melhor do que nenhuma. Uma meditação “ruim” é melhor do que nenhuma. Então não desista. Embora em alguns momentos possa não parecer, você sempre estará melhorando.

Em crises agudas de ansiedade, a meditação não é indicada

Em muitos lugares você vai ler ou ouvir que a meditação é um remédio para a ansiedade. Depende.

Como prevenção e em momentos que você percebe que está ficando mais ansioso do que o normal, sim, meditar vai ajudar. Porém, se você estiver em crise aguda, já com efeitos relevantes no corpo, o melhor é procurar um tratamento para sair da crise, antes de tentar meditar. Meditar, nestas circunstâncias, pode piorar os sintomas. Na dúvida, pergunte a seu médico.

Se desejar, segue link para uma pequena prática, que chamei de “Três minutos de presença”.

Aproveite.

Ana Marchi

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