Já repararam que nos sentimos mais vivos quando viajamos para novos lugares? Paramos para sentir o perfume das flores, para tirar fotos de detalhes que jamais veríamos se estivéssesmos no nosso dia a dia normal. É como se todos os nossos sentidos estivessem mais aguçados. Ficamos mais presentes.

Segundo o Mindful Awareness Research Center (MARC) da Universidade da Califórnia,  “Mindfulness pode ser definida como prestar atenção às experiências do momento presente com abertura, curiosidade e desejo de estar em contato com o que for que esteja acontecendo. É um excelente antídoto para o estresse dos tempos modernos. Mindfulness nos convida a parar, respirar, observar e a nos conectarmos com nossa experiência. Há muitas formas de trazer Mindfulness para a nossa vida, como a meditação, a yoga, a arte ou um tempo na natureza”.

Talvez tenha faltado incluir aí as viagens…

Ao ler isto hoje à tarde lembrei-me de um texto muito bonito (que reproduzo abaixo) lido aos passageiros de uma excursão à Itália pela guia que os acompanhava. Identifiquei-me logo com ele porque sei, por experiêcia própria, o quanto ficamos mais vivos e atentos quando viajamos. Quando estamos pela primeira vez em um local antes deconhecido nossos sentidos ficam em alerta e vivemos cada minuto intensamente. Em locais novos, fica muito difícil ficar no piloto automático. É preciso prestar atenção. E assim, praticamos Mindfulness sem saber. Talvez seja por isso que voltamos tão revigorados de nossas viagens!!

Praticar Mindfulness nos possibilita manter este estado de abertura e curiosidade mesmo em nossa rotina cotidiana e, assim, viver plenamente cada instante.

Segue o texto

VIAJAR É VIVER

Ninguém conhece o número exato de seus dias, nem a cifra de suas horas, nem muito menos a maneira de aumentá-las. Porém, viajar é o único modo de alargar a vida ao nosso alcance. Numa viagem, o tempo nos mostra sua verdadeira cara. Desaparece, estica-se e encolhe como o símbolo do infinito.

Nosso objetivo é ser capaz de viver mil dias distintos e no mesmo dia, mil vezes. O importante não é se há vida depois da morte, mas se há vida ANTES da morte.

Porque viajar é dar mais vida à vida. E viajar é, sobretudo, fazer com que a vida se faça muito mais longa. O corpo e o cérebro tendem a economizar energia. Quando passamos demasiado tempo em um mesmo lugar, olhamos sem ver, escutamos sem ouvir.

Os dias passam rápidos e iguais, parecidos a outros dias rápidos e iguais. Passamos várias vezes pela mesma rua e nunca vemos um letreiro de ferro forjado de uma velha loja. Um dia o descobrimos pela primeira vez e nos dizem que está ali há cinquenta anos.

 Nas viagens, os sentidos estão alertas: olhamos, vendo. Saboreamos, degustando. Escutamos, ouvindo. Cheiramos pela primeira vez os cheiros que conhecemos desde criança e nos sentimos profundamente vivos. Descobrimos que o tempo não existe porque podemos aumentar nossa vida fazendo-a mais intensa.

( Infelizmente não tenho o nome do autor para poder dar os créditos devidos)

Ana Marchi