Pausados em casa pelas circunstâncias, em situações às vezes desfavoráveis, muitos de nós estamos ansiosos para voltar ao “normal”, mas este tal normal só era normal porque tínhamos nos acostumados com ele. Da mesma forma que o pé se acostuma ao sapato apertado e vai mudando sua forma e criando calos.

Um texto da jornalista Marina Colasanti, escrito nos anos 90, se não me engano, teve em mim um grande impacto quando o li, a ponto de eu nunca mais esquecê-lo. Lembrei-me dele agora, em tempos de quarentena. Começava assim: “Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia”.

Vou colocar o link para o texto completo ao final, o qual sugiro todos leiam com a alma. Mas segue aqui um trecho que já vai dar um nó no estômago:

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

Talvez esta quarentena nos dê suficiente perspectiva para olhar para o que achávamos “normal” com outra compreensão.

Fica então a pergunta: a que “normal” você vai querer voltar?

O texto completo está aqui.

Autor: Ana Marchi