Poucos profissionais podem dizer que não estão enfrentando alguma mudança em seu trabalho. Com todos que encontro, o dia a dia é basicamente dedicado a gerenciar as mudanças, sejam de estrutura, novos acionistas, novos processos, novos projetos. Nem nossa vidinha particular escapa: temos que inserir a digital no título de eleitor, mudar o jeito de passar pela portaria do prédio que trocou o sistema, comprar outro produto porque aquele que gostávamos não é mais fabricado. E assim vamos.

Recentemente, fiz um workshop para uma grande empresa, cujo enfoque era justamente o enfrentamento de mudanças com o uso do Mindfulness (Atenção Plena) e queria compartilhar algumas reflexões.

Nosso cérebro não gosta de mudanças

Se não estamos atentos, nosso cérebro, para economizar energia, segue pelo caminho já conhecido. Este é o mecanismo que nos leva a fazemos coisas no piloto automático, sem ter que pensar. Esta capacidade, maravilhosa e útil, pode agir contra nós, porque o cérebro tende a ir sempre pelo comportamento usual, ao invés de tentar o novo.

Toda mudança produz resistência

Quando estamos diante de situações novas ou mudanças, nossa reação mais imediata e automática é resistir. Mesmo aqueles que dizem, por exemplo, que adoram projetos novos e desafios, podem virar um bicho se lhe pedem para mudar de mesa.

Muitas vezes a mudança nos provoca raiva. Seja pelo fato de termos que aceitar uma decisão com a qual não concordamos, seja pelo fato de não desejarmos ter que gastar nosso tempo e energia, recursos tão escassos. Afinal, toda mudança provoca um caos inicial que demanda esforço e aprendizado até que a nova realidade esteja incorporada. E também porque toda mudança implica em alguma perda. Inconscientemente, sempre fazemos um cálculo para saber se a mudança vai “compensar”.

Nossa mente é pessimista por natureza

Na maioria das vezes, mudar provoca medo. Não temos certeza se seremos competentes para enfrentar os novos desafios. Não falamos disto com ninguém, claro, muito menos com nosso chefe, mas o medinho está lá.

Para nossa sobrevivência, nossa mente ficou especialista em antecipar problemas, focar o que pode sair errado, imaginar os piores cenários possíveis. De um lado isso é bom, pois faz com que nos preparemos, façamos planos de ação, etc., mas, por outro lado, este mecanismo pode ser tão intenso que nos leva a crises de ansiedade e ao estresse.

Como então devemos enfrentar as mudanças?

Em primeiro lugar, é preciso ENTENDER a mudança. Muitos de nossos medos decorrem da falta de compreensão. Às vezes, tememos que a mudança seja mais complicada do que realmente será.

Em segundo lugar, é preciso ENTENDER E ACOLHER a sua própria resistência à mudança. Sem autocondenação, entendendo que resistir é normal, acolhendo sua humanidade e compreendendo as emoções que você sente em relação à mudança. Raiva? Medo? É preciso conhecer para poder administrar. E dar à mudança o seu real tamanho e significado.

Por último, escolher a melhor RESPOSTA frente à mudança. Uma resposta, não uma simples reação automática. Se você estiver presente, com clareza mental e consciência, você pode até rejeitar a mudança. E vai fazer isso com paz de espirito. Mas se resolver abraçá-la, var fazer isso com força e serenidade.

Aprenda a dançar a música da mudança

As mudanças virão. De um jeito ou de outro. Vejo muita gente preocupada com o futuro, dizendo “O que vai acontecer? Tudo está mudando muito rápido! ”. Porém, não importa saber o que vai mudar, mas sim, como nós vamos estar atentos e abertos o suficiente para nos adaptarmos da melhor forma.

Minha sugestão: Desenvolva sua prática cotidiana de Mindfulness, quepromove este estado de presença, clareza e serenidade necessários para podermos entender o que estamos sentindo e o que precisamos fazer, ou busque o trabalho de Coaching, cuja metodologia ajuda tanto no autoconhecimento como na instrumentalização do indivíduo para o enfrentamento das mudanças.

Concluo, lembrando a célebre frase de Charles Darwin: “Não é o mais forte dentre as espécies que sobrevive, nem o mais inteligente, mas aquele que melhor se adapta às mudanças“ . Verdade no século 19. Verdade sempre.

 Ana Marchi

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