Nestes tempos em que manter nossa saúde mental tem sido um desafio, o pior que podemos fazer é entrar no conhecido padrão de auto condenação.

Tenho percebido nas pessoas uma forte tendência a culparem-se muito agressivamente pelo próprio estresse, pelas emoções mais intensas durante a pandemia, pela falta de concentração, por não estarem conseguindo trabalhar tanto quanto a empresa está exigindo, por estarem exaustas, etc.

Não tem nada de errado em querermos ser melhores, desenvolver novas habilidades, melhorar nossos resultados no trabalho e na vida. Muito menos em procurar recursos e ajuda para isso. No entanto, percebo que algumas pessoas estão se exigindo além do que seria razoável num momento difícil como o atual.

E a pessoa começa a acreditar que todo mundo está ótimo enquanto que só ela é incompetente para dar conta de tudo, que só ela não sabe lidar com suas emoções, que só ela não consegue trabalhar catorze horas seguidas sem se sentir exausta, e por aí vai…

Muita gente ainda acredita naquele padrão de profissional bem sucedido que aparece nas revistas. Sabe aquele look fitness, cara de banho recém tomado, cabelo bem cortado, líder exemplar, maturidade e equilíbrio emocional combinando com altíssima performance? Tem um ou outro por ai. A maioria, porém, vive brigando com os quilos a mais, com o cansaço, com as crianças que atrapalham o home office, com o cabelo bagunçado, com a insônia, com os e-mails que parecem dar cria durante a noite, com a irritação constante…

Muito oportuno lembrar Fernando Pessoa em seu Poema em Linha RetaArre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Está na hora de parar. Está na hora de olhar para nós mesmos com mais gentileza. Reconhecendo nossa humanidade, nossas dificuldades, nossas fragilidades. Quanto tempo faz que você não se dá uma pausa? Há quanto tempo você não se dá o direito de avaliar se aquilo que está exigindo de si mesmo é realmente factível?

Ainda esta semana um cliente me falava que vinha se sentindo muito mal por não querer responder as mensagens que seu chefe costuma lhe mandar depois das 22 horas. Estava se sentindo culpado, péssimo profissional. Hein? Acho que tem alguma coisa invertida aqui.

T.S. Elliot já nos provocava: “O que é este ‘eu’ dentro de nós, este observador silencioso, crítico severo e calado, que pode aterrorizar-nos e induzir a atividade fútil e que, no fim, julga-nos ainda mais severamente pelos erros que sua própria censura nos levou a cometer?”

Fala-se muito em empatia atualmente. Que tal olhar para si mesmo também com mais empatia? Você não é super herói nem robô. Você é gente, ok? E isso ainda é algo bom.

Ana Marchi.

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